Aqui onde estou posso sentir esse cheiro de terra molhada,
Logo pensei...
De onde vens?
Um pouco mais atenta pude ver que era da fina garoa,
Que o céu teimava em deixar cair nessa mansa tarde de domingo,
Que vontade de sair até lá e como quando era criança correr nessa chuva,
Sentindo ela molhar meu rosto,
Pular nas poças de água só pra jogar água em quem estivesse a minha volta,
Mais, como sempre tem que ter um mais,
E hoje não posso me permitir a essa travessura,
Porém prometo que é só por hoje,
Então amanhã te chamarei:
Vamos?
Cante, e dance comigo nessa chuva,
Me beije em meio a um temporal,
Me proteja,
E quando ele passar,
Somente me abrace e me acalente,
Para que eu possa ouvir a batida do seu coração,
No momento em que eu me recostar em seu peito,
Permita-se permitir.
Fechei meus olhos,
E instantaneamente abri a minha caixa das lembranças,
E esse cheiro me fez recordar dos tempos de quando eu ainda era apenas uma menina,
Inocência e doçura de tempos que não voltam nunca mais, tempos de inconsequência e loucura.
E remexendo lá no fundo dessa caixa,
Puder reviver no pensamento e reavivar no meu subconsciente, O cheiro que cada tempo tem,
E juntamente com isso as marcas que essas lembranças deixam.
No 1° instante lembrei-me do cheiro do mato, da roça, da Amoreira, Foi lá que dei meus primeiros passos,
Ohhh saudade, do campo, da terra, do verdadeiro, da vida!
O cheiro do tijolo molhado, do pomar de frutas, da dama da noite, bolo de fubá, biscoito de polvilho, e até o quentão das tais terços de Santo Antonio, sem falar no churrasco do vizinho, que sempre parece ser bem melhor que o nosso,
O cheiro da minha amiga e eterna irmã,
Do pescocinho da Lidinha,
Do caldo de cana que certamente será lembrado por toda uma vida,
Ou até mesmo de alguém que acabei de conhecer neste outono, ou será nessa primavera,
De alguém que fez parte de um tempo onde algumas coisas não eram permitidas,
Deus traça caminhos inexplicáveis, que ali adiante entenderei.
A música não tem cheiro,
Mas acredito que se tivesse poderÃamos comparar ao cheiro do amor, da paixão,
Pois elas traduzem a emoção através das palavras que não podem ser ditas pelo coração.
O cheiro tem uma enorme capacidade de afetar nossa memória, Trazendo à tona a imagem de pessoas que nós convivemos,
Dos antigos amores, aos entes queridos que se foram,
Meu pai, minha mãe, meus avós, fecho os meus olhos e posso abraçá-los, senti-los por mais um instante.
O mais engraçado por incrÃvel que pareça, é que água não tem cheiro.
Certo?
Errado...
Eu posso sentir o cheiro da água que minha mãe esquentava pra gente lavar o rosto e escovar os dentes nas manhãs de inverno,
E não há nada que transmita mais sensações do que o cheiro desse outono e inverno.
Todos nós temos um cheiro,
E se somos atraÃdos inexplicavelmente,
Pronto,
Essa pode ser essa a sua alma gêmea,
Aquela pessoa que você sonhou e esperou por toda uma vida,
E mesmo que ela se vá por um tempo,
O cheiro dela permanece,
E onde quer que agente esteja,
Esse cheiro de roupa limpa, que pra falar a verdade é de Confort mesmo,
Permanecerá.
Eu queria poder ter o poder de fotografar essas cenas com os meus olhos,
E mostrar pra você o que vi, vivi, e o que senti.
Não fique vendo a vida passar pela janela,
E juntamente com ela, os seus sonhos e ideais,
Abra a porta, solte as amarra ente, vá á luta,
Deus te fez vencedor, nada aos olhos dele
Pois pela fé, tudo somos capa
Transforme seus desejos em pontes pra chegar, onde se sonhar!
Nunca pense em desistir,
Faça dos espinhos trampolins pra chegar lá.
Quando somos crianças a chuva tem outro gosto, outro cheiro e a nossa vida também.
Feliz estou em descobrir que minha essência permanece.
Enquanto há vida, há solução.
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